Victor Gama apresenta SOL(t)O no Teatro Maria Matos meses depois de o ter feito em Nova Iorque a conv ite do Kronos Quartet. Gama é não só constructor dos seus próprios instrumentos, mas também criador de uma geografia própria, impossível de encontrar em nenhum outro sítio que não na sua música. Com um currículo impressionante mas virtualmente desconhecido em Portugal, Victor Gama é talvez um dos nossos mais bem guardados segredos.
Na performance Man in the desert, retirada do projecto tectonik:TOMBUA, de onde sai também o acompanhamento vídeo para SOL(t)O, Victor Gama vagueia pelo deserto captando o som amplificado de uma vara que arrasta pelo chão. Em termos sonoros, somos capazes de imaginar o resultado da reco lha, mas o verdadeiro significado deste caminho fala mais alto que a gravação: Victor Gama é um viajante telúrico.
E o trajecto que se propõe executar, apesar da sua salutar errância, cruza territórios, culturas e linguagens num espaço tão vasto como a superfície da Terra, evitando habilmente a consciência etnográfica ou a ameaça do fusionismo.
Não surpreende, por isso, que o músico tivesse necessidade de desenhar e construir os seus próprios instrumentos como legítimos intérpretes desse léxico original onde funde conceitos de design, tecnologia, música e performance. Acrux, Toha e Dino são três desses magníficos instrumentos que iremos escutar nesta noite em SOL(t)O, uma peça que ganhou novo arranjo recente graças ao convite de David Harrington, do Kronos Quartet, para a apresentar no Carnegie Hall em Nova Iorque, em Março passado, juntamente com a estreia mundial de Rio Cunene, escrito exclusivamente para o quarteto.
Composto por três par tes elaboradas para cada um dos três instrumentos, SOL(t)O é um monumento singular da música universal, um voo planante sobre uma etnografia inventada e uma belíssima coreografia visual que nos remete para algo ancestral.
A eterna dúvida da sua geografia e tempo faz-nos crer que estamos perante a pura definição de música clássica e eterna, algures entre a simplicidade da primitiva mbira e a complexidade da herança revolucionária de Harry Partch. terça 18 Maio 22h00
Teatro Municipal Maria Matos
Sala principal com bancada
12€ / <30 anos 5€

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